Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Fendilhação

COMPORTAMENTO DE REVESTIMENTOS DE FACHADAS COM BASE EM LIGANTE MINERAL. EXIGÊNCIAS FUNCIONAIS E AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO.




INTRODUÇÃO


Ao longo de milénios os rebocos têm cumprido diversas funções, adaptando-se à evolução da tecnologia e da estética:

    - Regularização das alvenarias;
    - Impermeabilização das fachadas;
    - Protecção das paredes contra acções externas;
    - Acabamento;
    - Suporte de decoração;

Estas funções têm que ser desempenhadas pela solução de reboco, que pode incluir diversas camadas.


Os rebocos correntes devem ser constituídos pelo menos por 3 camadas:

- Chapisco ou camada de aderência (ligação à alvenaria e regularização da absorção do suporte);
- Camada de base (impermeabilização e regularização);
- Camada de acabamento (protecção e efeito estético);
- Pintura.

Os rebocos pré-doseados permitem reduzir prazos de aplicação e assegurar controlo da qualidade.
Os rebocos monocamada têm como objectivo cumprir as mesmas funções com uma única camada.
As massas de reboco podem necessitar de aplicação em duas camadas e de pintura de acabamento final.


CARACTERISTICAS E COMPORTAMENTO:

Rebocos correntes: várias camadas com funções diferenciadas e dosagens diferentes.
Rebocos monocamada: única camada, uma só formulação, para todas as funções exigências superiores para garantir o mesmo desempenho.
 
Aspectos do comportamento mais influenciados pelo número de camadas:

- Susceptibilidade à fendilhação;

- Capacidade de impermeabilização em zona nãofendilhada;


A fendilhação é muito mais gravosa em revestimentos em camada única.
Um reboco monocamada pode ter módulo de elasticidade inferior e menor resistência à fendilhação que uma argamassa corrente de cimento e areia, e não ter um melhor comportamento à fendilhação que o reboco corrente.


Capacidade de impermeabilização em zona não fendilhada:

A passagem da água é dificultada pelas interfaces entre camadas enquanto a capacidade de secagem não é afectada negativamente por tais interfaces, que se verifica não constituírem barreiras adicionais ao vapor de água.
Os rebocos monocamada têm, em geral, coeficientes de capilaridade muito inferiores aos das argamassas correntes de cimento, mas isso pode não significar maior resistência à penetração da água que um revestimento corrente em três camadas.


CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Especificações da EN 998-1

Necessárias à atribuição da marcação CE e que constituem, portanto, um conjunto mínimo de características para a livre circulação no mercado dos produtos.


Requisitos adicionais recomendados pelo LNEC:

Relevantes para o bom comportamento global dos revestimentos exteriores, tendo em conta as funções que lhes são atribuídas e que podem ser utilizados pelos projectistas nas especificações que preparam para determinadas obras.


As anomalias mais frequentes e mais graves que afectam os rebocos são:
   
- a fendilhação;

- o destacamento do suporte;
- as deficiências na capacidade de impermeabilização em zona não-fendilhada;
- a perda de características devida às acções climáticas repetidas.



SUSCEPTIBILIDADE À FENDILHAÇÃO

A fendilhação é uma anomalia frequente e grave:
   
- afecta a capacidade de impermeabilização;
- prejudica gravemente a aparência;
- facilita infiltrações de água e de outros agentes e fixa microorganismos reduz a durabilidade do revestimento e da própria parede.

Depende de vários factores e envolve fenómenoscomplexos, ao nível da microestrutura da argamassa, tornando-se difícil de controlar completamente.


CAPACIDADE DE IMPERMEABILIZAÇÃO

Característica da maior importância nos rebocos exteriores, é geralmente avaliada recorrendo a:

- Ensaio de absorção de água por capilaridade em prismas.


Este ensaio tem muitas limitações:

- não entra com o efeito do nº de camadas;
- não entra com o efeito da espessura;
- não entra com o efeito da absorção do suporte;
- não mede o que se pretende: a água que atinge o suporte e o tempo necessário para lá chegar.

Os resultados dos ensaios podem ser visualizados em curvas de resistência ao longo do tempo e são expressos nos seguintes parâmetros:

- M (ou W): atraso na molhagem, em horas - tempo desde a
aplicação da água até esta atingir o suporte;
- S (ou D): período de humedecimento, em horas - tempo em que o suporte permanece húmido;
- H (ou I): intensidade de molhagem, em mv x h - quantidade de molhagem sofrida durante o ensaio, ou seja área entre a linha que define a variação da tensão eléctrica com o tempo e a linha correspondente ao valor da tensão no estado seco.


CONCLUSÕES

A comparação directa entre as características de um reboco executado em obra em várias camadas, com as de um revestimento monocamada, não é possível.
O estudo experimental do desempenho de rebocos não pode basear-se só na determinação de características isoladas do material – realizada através de ensaios normalizados – mas exige uma análise mais complexa da resposta do revestimento às solicitações reais a que está sujeito.

O LNEC tem desenvolvido metodologias para esse estudo, quer através da análise conjunta de diversas características e do estabelecimento de classes e de níveis de exigências, quer através do desenvolvimento de métodos de ensaio específicos, capazes de simular as situações reais e de introduzir a variação das condições de aplicação.
Estas metodologias permitem a previsão mais fundamentada do desempenho de rebocos em condições específicas e a elaboração de recomendações para selecção de produtos e de soluções para aplicações concretas.
Publicado por jpssilva às 16:05

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